Tudo o que existe no nosso universo é composto de 3 elementos básicos. Os alquimistas chamam de mercúrio, sulfur e sal; os hinduístas de sattva, rajas e tamas; os católicos chamam de Pai, Filho e Espírito Santo; a ciência de próton, elétron e neutro e assim por diante. Em todos existe a representação de uma energia positiva, uma negativa e uma terceira, que faz o elo de ligação entre estas.

Passamos a vida numa luta entre as duas polaridades sendo que nada do que existe seria possível sem a existência destes 3 elementos. Existe uma aparente contradição na forma como atuam, mas na verdade são complementares e possuem o mesmo objetivo.

A positiva, a que eleva ou sublima, sabe que a morte não existe e a razão da sua existência é a criação, viver o maior número de experiências possível. Lembrando que para algo novo nascer, muitas vezes, algo tem que morrer. É uma energia mais sutil, fonte pura de informação, representada num nível sutil por som e cores. No nível mais denso a forma mais próxima seria um cristal.

Por outro lado, a energia negativa, a que precipita, é a que dá forma as coisas. Sem ela não estaríamos respirando e interagindo neste momento. Por ter uma representação material biológica, possui um forte instinto de sobrevivência. Cada célula “viva” tem toda a sua “inteligência” inerente programada para a preservação, pois também existe com o objetivo de viver o maior número de experiências possível. É uma mãe leoa.

As duas polaridades tem o mesmo objetivo: criar e viver experiências. A grande diferença é que uma sabe que não pode morrer e a outra tem certeza que irá morrer. Esta visão sobre a morte muda completamente a perspectiva e a forma como elas atuam.

E como apaziguar esta diferença? Aprendendo que as polaridades conseguem realizar melhor os seus objetivos quando trabalham em conjunto e equilíbrio.

Neste sentido, para começar, se uma pessoa tiver algum problema com a palavra sombra ou energia negativa, eu a aconselharia seriamente a ressignificar esta imagem mental, pois de fato, nada material existiria sem ela, incluindo todos os seres neste planeta. Este é o lado sagrado da sombra. Na verdade, a sombra sagrada nada mais é do que o feminino, o que realiza.

E para quem acha que a energia positiva também não pode sofrer distorção no plano da nossa existência, pergunte-se porque as pessoas andam tão perdidas, inseguras, com a autoestima tão baixa? Quando o chamado poder masculino “Eu sou” da energia positiva perde a força, porque começa a se recusar a doar e está num ambiente muito preocupado com a sobrevivência, os seres sentem muito medo e vão perdendo a vontade de viver nesta dimensão. Por outro lado, quando a energia masculina domina, o mundo fica muito agressivo e destrutivo. E este desequilíbrio se dá porque não compreendemos o grande poder que existe na perfeita união alquímica destes elementos. Perdemos muito tempo competindo no nosso mundo interno e isso reflete no externo. Na verdade, ainda pouco conhecemos tanto a nossa luz como a nossa escuridão para produzir a alquimia do ouro.

Os elementos se expressam conforme o nosso nível de consciência. É como um filme projetado no espaço, que tem a nossa “consciência” como autor, diretor e protagonista. A nossa história individual e coletiva irá se manifestar conforme o nosso nível de conhecimento e sabedoria deste sistema cósmico.

Por isso, é muito importante que a gente perceba e entenda como estamos expressando este Ser no mundo, como estamos protagonizando estas energias em nossas vidas. Ao chegarmos a grande união amorosa das duas polaridades, após conhecê-las intimamente e integrá-las, tornamos qualquer coisa possível. É a união do céu com terra, do divino com o ordinário. Este é o verdadeiro êxtase sagrado da onde floresce o regojizo, a plenitude e a abundância.

E o primeiro grande passo para isso é compreender o que chamamos de morte. O êxtase sagrado só acontece na total entrega, quando não se tem mais medo de morrer, de se perder no outro ou no desconhecido. É a luz despencando na escuridão do abismo. Uma intenção que pode nos acompanhar a todo o momento, seja fazendo amor ou apenas olhando nos olhos de alguém. Este é o amor que transcende.

Quando este equilíbrio acontece, a perfeição do divino é finalmente compreendida pelo ordinário como parte de si mesmo e, assim, a sua busca pode terminar.

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