Select Page

Cesinha Chaves, pioneiro do skate no Brasil – Parte 1

Cesinha Chaves, pioneiro do skate no Brasil – Parte 1

Cesinha Chaves – Skatista, Homem de TV, Budista Phonetógrafo, Macintóshico e Amigo

Escrito por ele mesmo

Nasci no Rio de Janeiro de parto normal e de cesareana. A certidão de nascimento diz “que Cesar Augusto Diniz Chaves Filho, sexo masculino, nascido no dia 24 de julho de 1955, às 20:10 horas na Ordem do Carmo, Lapa, filho de Cesar Augusto Diniz Chaves e Hanna Kenigsberg”, portanto nasci de Cesar e Hanna.
As minhas primeiras lembranças dessa vida são confusas e anacrônicas.
A mamadeira de farinha láctea tomada embaixo da escada de nossa casa na Urca, o banco que cercava a mangueira da escola na minha rua, a pracinha onde jogava bola de gude, o gorro listrado da colônia de férias do Forte São João, voltar da escola a pé me equilibrando no meio fio…
 A mamadeira de farinha láctea tomada embaixo da escada de nossa casa na Urca o banco que cercava a mangueira da escola na minha rua, a pracinha onde jogava bola de gude, o gorro listado da colônia de férias do Forte São João, voltar da escola a pé me equilibrando no meio feio.

Não consigo precisar a minha idade, mas como me lembro da sala de jardim de infância do Externato Cristo Redentor, devia ter entre 4 e 7 anos!A minha primeira relação com esporte foi pegar onda na praia de fora, no Forte. No início era jacaré, depois veio a planonda (pré Bodyboard… que era uma prancha feita de isopor) e também o surf de areia (pré Skimboard…) ou Sonrisal, pois era em cima de discos de madeira que deslizávamos na areia da beira do mar.

Aos 13 anos ganhei a minha primeira prancha de surf de fibra, uma São Conrado 9’10”.

Nessa época é que o skate apareceu na minha vida. O nome era surfinho, e o primeiro que vi era de um primo meu: um patins com rodas de borracha aberto ao meio e pregado à uma tábua de feira. Rapidinho tratei de fazer o meu, mas com uma forma mais de surf. Nas revistas Surfer e Surfing a gente via as novidades gringas, como os skates de fibra e com rodas coloridas.

clayMeu primeiro skate de verdade não se chamava skate ainda, e sim Sidewalk Surfboard. Era um Nash, que consegui comprar de um garoto americano que frequentava a Fortaleza São João, na Urca, junto com os pais, pois o pessoal que trabalhava na embaixada americana ia jogar baseball no Forte nos fins de semana.

Era um skate com madeira laminada e com clay wheels que comprei por 13 cruzeiros e um cinto, que o moleque gostou e insistiu em ter. Nessa época eu andava no Forte, no quarteirão de casa e na São Sebastião, que para quem não sabe, é a primeira rua do Rio de Janeiro.

O pior é quando as bilhas saiam das rodas! O skate ficava encostado por um tempo, até eu ir na loja de bicicleta comprar bilhas para colocar no skate e poder andar de novo.

Em 1970, com 15 anos fiz a minha primeira viagem para a América. Fui com uma tia e acabei ficando um mês em Santa Monica, à 6 quadras da praia. Minhas primeiras aquisições foram uma prancha de surf Natural Progression, uma Twin Fin – uma novidade para a época, e um par de eixos de skate com rodas, que prendi numa tábua que tinha na casa da minha tia. Este skate virou o meu meio de transporte local para a praia e vizinhança. Surf era o que eu curtia e estava sempre na praia ou viajando em busca de ondas.
Acabei indo morar em Saquarema para surfar e trabalhar com pranchas de surf. Montei a Surfcraft, onde fazia os encapamentos de muitos dos shapers da área, como o Mudinho, Claudio Mendonça e Zé Mudo. O skate só rolava numa calçada na casa de um amigo, ou nas viagens de volta pro Rio, com as sessions na Cobal ou na famosa ladeira Cedro.

Em 1976 uma série de acontecimentos foram cruciais para que eu trocasse de vez o surf pelo skate.

summer75Em 1976, em Saquarema, meu amigo Dado Cartolano me apresentou a 2 coisas que mudaram a minha cabeça. Primeiro o skate Vórtex, que ele estava começando a produzir no Brasil.

O Skate tinha uns eixos que eram uma cópia dos Tracker Trucks e as rodas eram cópias das Road Rider, coisa que a gente só via nas revistas de surf. A grande revolução para mim foi a substituição das bilhas soltas pelos rolamentos – os precisions bearings. O rolamento encaixava na roda que por sua vez encaixava no eixo e era preso por uma porca auto travante! “Coisa de gênio” pensei eu. Esse skate andava muito.

O patamar era quanto tempo se conseguia andar sem botar os pés no chão. Na era Cadillac o recurso eram as batidas Tic Tac para se dar a volta no quarteirão, mas com as rodas com rolamento, nascia o “pump”, dar impulso no skate com as 4 rodas no chão. Eu pirei com aquele skate, e rapidinho tratei de fazer uma tábua bem surf para aqueles eixos e rodas.

Dado ainda contribuiu mais para que a minha cabeça começasse a pensar mais em Skate que em Surf, quando me mostrou 3 exemplares de uma revista de Skate, publicada pela Surfer Magazine, chamada Skateboarder.

Uma tinha um cara fazendo um Nose Wheelie ao por do sol, outra , numa capa toda preta, tinha um cara numa curva muito estilosa no asfalto, e a outra…tinha um cara fazendo um carving de backside, descalço numa piscina! Aquilo foi demais prá mim! “Eu também quero fazer isso” foi minha reação natural, ao que Dado me chamou a atenção para uma série de matérias com o título Skatetparks. “Olha Cesinha, os caras estão fazendo pistas especiais só para skate”.

picpbNovaO golpe de misericórdia para tirar de vez o Surf do pedestal e colocar o Skate no seu lugar foi quando fui ao Rio de Janeiro, comprar material para a fabricação de pranchas de surf, coisas como resina, catalisador, monômero e fibra de vidro.

Numa loja em São Cristovão vi num jornalzinho uma notícia sobre um skatódromo que havia sido construído em Nova Iguaçu. “Skatódromo” pensei eu, olhando o diagrama de como era a tal pista. Não pensei duas vezes.

Como o meu skate já estava no meu carro, pois fazia parte da bagagem que eu levava sempre que ia ao Rio de Janeiro, embiquei com o meu carro em direção à Nova Iguaçu sem ter a mínima noção que este fato mudaria a minha vida para sempre.

continua…..

Comentários

comentário(s)

Sobre o Autor

Total Idade

A Total Idade possui uma equipe focada no trabalho de curadoria de conteúdo. Artigos em diversas áreas do conhecimento são produzidos, compartilhados e disponibilizados para todos os interessados em adquirir conhecimento sobre a maturidade. A Total Idade leva ao leitor informações de alto nível, recebidas, compartilhadas e publicadas por colaboradores externos e internos.

Deixe a resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.