Será que foi por acaso que a atriz norte-americana Julia Roberts, aos 49 anos, foi eleita ‘a mulher mais bonita do mundo em 2017’ pela revista ‘People’? A ‘bela’ teria comentado ao ser informada do resultado da eleição no último dia 19 de abril: “Acredito que estou atualmente atingindo o meu auge.”

A primeira vez que a atriz liderou como a ‘mais bonita do mundo’, tinha 26 anos menos e acabado de estrear um longa com o galã Richard Gere: ‘Uma linda mulher’, em 1990. Depois disso, foi eleita ainda em 2000, 2005 e 2010.

Boas nova, não é mesmo? Quando iríamos imaginar que uma ‘cinquentona’ seria eleita a mulher mais linda do mundo? Me lembro de que, quando criança, uma mulher de 40 anos já era considerada ‘velha’, ‘inútil’ e ‘sem atrativos para viver um novo amor’. E olha que nem faz tanto tempo assim … E o que mudou afinal?

Tudo! A atual geração dos cinquentões é movida à muita vitalidade, coragem, ousadia e recomeços, que deixam qualquer ‘jovem’ no chinelo. A fase do envelhecimento passa por uma de suas maiores revoluções, com aumento da longevidade, saúde, qualidade de vida e alterações profundas nos padrões sociais de comportamento. Consciente dos anos a mais para aproveitar a vida, os ‘cinquentões’ perceberam que podem ‘recomeçar’ e realizar seus desejos: mais ousados e secretos, depois que já cumpriram sua jornada como bons pais, filhos, irmãos, profissionais, amantes etc. Surge neste momento na vida um: ‘agora é a minha vez’!

Novos projetos, carreiras, práticas esportivas, maneira de se vestir com personalidade e até tatuagens, além de uma vida sexual mais plena, e, quem sabe, até uma experiência com o mesmo sexo… E por que não? Conheço vários pais de família, maridos exemplares, que, depois de cumprirem com todo o mérito seus papéis profissionais, paternos e maritais, se deram a chance de experimentar algo diferente, que já era latente, e buscaram mais uma oportunidade de realização na área da sexualidade e do relacionamento. Bato palmas!

É uma geração que está se reinventando e assumindo novos riscos. Tudo isso traz duas coisas ao meu ver: vitalidade e beleza. O conceito de envelhecimento está sendo redefinido, Aleluia!

A jornalista norte-americana, Suzanne Braun Levine, em seu livro ‘A reinvenção dos cinquenta – Lições de Vida para mulheres na Segunda Adolescência’ (Rocco), levanta importantes reflexões sobre o assunto, lembrando que a atual realidade não tem precedentes e, portanto, não tem referências nos papéis desempenhados por nossos antecessores (pais, avós, bisavós…). É hora de construir um novo tempo, uma nova realidade, novas possibilidades, ampliar os limites até então conhecidos.

A principal maneira de nos beneficiarmos da passagem irrevogável do tempo é não temê-lo e não tentar detê-lo. Aceitar e acolher o envelhecimento são indícios de boa saúde mental e emocional. E nesse contexto, as mulheres levam vantagem por estarem acostumadas a acolher e aceitar os processos naturais da vida-morte-vida, expressos no dia a dia, começando pelo exercício profundo da maternidade.

Os parâmetros hoje são outros. É possível escolher ser mãe aos 40 anos. Ou então mudar completamente de carreira aos 50. Abraçar desafios, sonhos, projetos e oportunidades que não foram possíveis e passíveis de serem realizados. Rumamos para um futuro que podemos desenhar e ser autores de nossas histórias. Aliás, Julia Roberts, meus parabéns pelo título. Sim, você me representa!

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