Me lembro como se fosse hoje, que o momento mais prazeroso do dia, quando tinha apenas 7 anos de idade, era depois do banho, com os cabelos molhados, quando minha mãe mandava que eu fosse ao quintal para secar os cabelos. Deus! Que delícia! Sentava em um banquinho por volta das 16h30 e fechava os olhos, enquanto a brisa balançava levemente as minhas mechas e os raios do sol esquentavam a minha cabeça, rosto e pele. Não dá para descrever a sensação de puro prazer. Fechava os olhos e silenciava tudo em volta. Ficava apenas com o ‘eros’ do momento.

Inesquecível! E, mesmo com 48 anos agora, me lembro e sinto o mesmo prazer quando saio com os cabelos, agora bem mais curtos, no sol da tardezinha. Me aproximando dos 50 anos, redescubro a todo o instante o que me dá prazer intenso: tomar banho quente, passando o sabonete demoradamente pelo corpo; beber uma taça de vinho tinto ao findar do dia; escutar ‘aquela’ música que me enlouquece; gemer de prazer ao degustar sushis no restaurante ou entregues delivery, seja sozinha ou acompanhada.

Sinto que o deus grego, Eros, nunca esteve tão presente e ‘enamorado’ por mim quanto nesta minha fase da vida. A sensualidade, aqui citada como energia revitalizante e erótica, me acompanha nas mínimas e cotidianas ações do dia. Eros encarna a paixão e o amor em todas as suas manifestações. Acredito que o erotismo vai muito além do conceito formal e científico de sexualidade e sua estreita relação com o ato sexual e o gozo. A erotização está na maneira como vivenciamos e nos permitimos sentir ao longo de cada momento. Como percebemos a sensualidade e sua amplitude nos mínimos e máximos prazeres que chegam pelos nossos cinco sentidos (olfato, audição, paladar, tato e visão).

A sensação de gozo ocorre com simultaneidade com o corpo. Não há felicidade sem prazer e não há prazer sem o corpo. A sensualidade está relacionada com toda a sensação que se expressa em um: ‘Ah! Que delícia’ – afetando o corpo fisicamente e transmutando a alma. Por isso a paixão é tão importante na vida humana. Com ela nos reabastecemos de energia e vitalidade para superar nossos limites para viver o ‘novo’ e nos acolher no ‘conhecido’.

Além disso, é ao nos ‘apaixonarmos’ que abrimos solo fértil para que nasça o criativo, o ousado, o inusitado. É uma experiência tão complexa, que podemos nos ‘apaixonar completamente’ não apenas por pessoas, mas por projetos, trabalho, hobby, música, tudo que nos inspire, tudo que faça com que fiquemos horas a fio envolvidos, nos esquecendo de comer, ir ao banheiro, beber água…

A minha proposta nesta fase da vida é que façamos um mapa dos processos amorosos, eróticos e apaixonantes da nossa vida em todas as suas nuances. A busca é pela plenitude. A aventura é resgatar a plenitude do sentir. Literalmente deixe que o ‘orgasmo’ saia pelo seu sorriso.

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