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No emprego, impacto da tecnologia conta mais que criatividade

No emprego, impacto da tecnologia conta mais que criatividade

SÃO PAULO / 04/02/2014 / EMPREGOS / Empregos/Foco na Carreira - Leonardo Trevisan, professor da PUC. Crédito: Divulgação/PUC

Por Leonardo Trevisan, professor da PUC

Aumentou o susto. Um aplicativo novo permite agendar consultas médicas e comentar o atendimento recebido. Semelhante ao TripAdvisor (o guia dos viajantes), deixa o paciente ler opiniões sobre o médico escolhido.
Tudo na rede. Sem intermediários. Só em São Paulo, em um mês, 5 mil médicos já se inscreveram no app (Estado de 18/03).

Fica a sensação de que algum aplicativo mudará tudo, em qualquer emprego. Há certo exagero nesta imagem. Na mistura entre trabalho e tecnologia, o que está em jogo é busca de eficiência e produtividade, com mudança no formato do emprego. Antes de ver tecnologia como ameaça, é melhor pensar nela como aliada. A impressão inicial é de que todo avanço tecnológico destrói empregos. Não é só isto. Eles também abrem “portas”. Depende da capacidade de cada um para aceitar mudanças.

Como medir essa capacidade de ver que o mundo mudou? Como lidar com o avanço tecnológico? Bruno Michel, chefe do laboratório de microintegração da IBM em Zurique, entrevistado pela The Economist, avisou: “Se você quer trabalhar com um campo novo na sua área de trabalho, não seja conduzido pela criatividade, mas preste atenção no impacto”. A entrevista está em: www.economist.com/technology-quarterly/2016-03-12/after-moores-law

Deslumbramento com criatividade tecnológica exige cuidado. Criação é importante, mas o que mais conta é o impacto daquele avanço no trabalho. Impacto de nova tecnologia quer dizer, quanto menos tempo para fazer a tarefa, qual a produtividade alcançada e, principalmente, se altera – ou não – a relação entre oferta e procura para aquele produto ou serviço.

O envolvimento inteligente (no sentido de cognitivo) com o “impacto” de um avanço pede outra competência: engajamento tecnológico. É este que permite enxergar aquela tarefa ou produto que recebeu inovação como “plataforma de negócio”. É este engajamento que faz o médico perceber que o novo app gera clientela “independente”, essencialmente, “sua”. Quando se mede impacto e não deslumbramento, tecnologia vira aliada, não ameaça.

O aviso do pesquisador da IBM vale tanto para o trabalhador quanto para a empresa. “Destruição criativa” não distingue capital ou trabalho. A lógica de “a fila andou” vale para todos. Sem exceção. Com regra inapelável: na mudança só fica vivo, quem a entende

EDILAINE FELIX

Fonte Estadão

 

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