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Nossos filhos saíram de casa! E agora? O que faremos como casal?

Nossos filhos saíram de casa! E agora? O que faremos como casal?

A Síndrome do Ninho Vazio…

Este texto foi baseado no filme Ninho Vazio.

Título original: El Nido Vacío

Argentina, 2008.

Direção: Daniel Burman

 

O filme discorre sobre a saída dos filhos de casa e os conflitos despertados entre um marido e uma esposa que tem que se haver, de fato, como um casal novamente.  Leonardo (Oscar Martínez) no papel de pai, e Martha (Cecilia Roth) no papel de mãe tentam se reinventar não apenas como casal, mas procurando suas identidades como indivíduos.

Cursando uma faculdade, Martha consegue dar um novo sentido a vida, tendo assim novas possibilidades e relações sociais. Já Leonardo, um escritor renomado, fica mais introspectivo nessa fase refletindo e buscando sentido para tantas mudanças que estão acontecendo ao seu redor. Além de sentir certo “medo” e insegurança com relação a uma possível “crise da meia-idade” ele também tem que lidar com o sentimento de inveja em relação a sua esposa, que por sua vez está conseguindo resignificar essa nova fase do ciclo vital.

A situação acima acontece com maior frequência do que podemos imaginar, com uma grande parte dos casais que constituíram família e estão passando pelo momento da saída dos filhos de casa.  Este fenômeno é denominado de A Síndrome do Ninho Vazio, que se caracteriza por um desconforto emocional dos pais quando os filhos saem de casa. E quando isso ocorre há um sofrimento associado à perda, uma espécie de fase de luto do papel da função parental podendo gerar um sentimento de solidão, físico ou emocional, acarretando inclusive um quadro de depressão.

Mesmo que existam novas configurações familiares, esse evento pode acontecer com a pessoa que criou os filhos (pais/tutores), e agora tem que lidar com a saída destes de casa.

Nos dias de hoje, por muitas vezes, ocorre à prolongação desse fenômeno que se dá pela dificuldade de alcançar a estabilidade financeira dos filhos fazendo com que eles não alcem voos tão cedo. Ou, também, estes filhos acabam prolongando a permanecia na casa dos pais ficando assim dentro de uma “zona de conforto”, não precisam assumir as responsabilidades do mundo adulto. Essa postergação de independência dos filhos pode causar uma disruptura, abalando o ciclo adquirido desse casal e ou família.

Originalmente, esses pais foram namorados, casaram e tiveram filhos. Muitos casais no momento em que constituem sua família deixam de se enxergar como casal, como no começo de suas relações. Quem nunca ouviu a frase: “agora sou mãe!”… como se isso anulasse a identidade de ser também mulher, esposa, profissional e vice e versa.

E… o dia(muitas vezes temido dia) chega! Os filhos saem de casa em busca de seus objetivos de vida, de sua independência e constituem suas próprias famílias.

E é aí, que surgem questões tais como: a convivência do casal, os planos futuros desse casal, a sexualidade, dentre outras. Questões que ficavam muitas vezes mascaradas quando não havia outras prioridades momentâneas. Prioridades estas que só visavam o convívio familiar.  Quando há conflitos em um casal que está passando pela fase do ninho vazio, muito provável que estes vão além dos atuais, conflitos possivelmente pré-existentes que somente eclodiram após a saída dos filhos de casa.

E então, o que fazer?

Buscar ajuda para dar voz a esses sentimentos não é vergonha e sim sinal de autocuidado e saúde mental. O psicólogo está habilitado para acolher e auxiliar nessa fase, sem julgamentos, sem preconceitos. Então, não se culpe! Foi o melhor que você pôde ter feito naquele momento, agora é hora de cuidar de você!

E o que podemos concluir disso: fica o convite para refletir em que momento paramos de nos enxergar e nos reconhecer como pessoas reais, seres desejosos e desejantes.

Uma ótima semana a todos!

Samantha Sittart
Psicóloga, especialista em clínica psicanalítica. sittart.psicologia@gmail.com

Laura Cohen
Psicóloga, especialista em terapia vincular de casal e família. CRP 07/15388

Sobre o Autor

Samantha Sittart

Apaixonada pela vida, por animais, por viagens, por filmes e acima de tudo pelo ser humano! Tem como propósito de vida ser uma pessoa melhor a cada dia e ajudar as pessoas no seu autoconhecimento, oferecendo uma escuta acolhedora e inclusiva. Samantha Sittart é Psicóloga Clínica – CRP 07/ 23524, Especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica. Atende em Consultório particular e em Clínica Multiprofissional em Porto Alegre-RS realizando psicoterapia individual de orientação psicanalítica. Idealizadora do Site Psicóloga Online que é destinado a oferecer serviços de orientação psicológica online. Serviço esse devidamente regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia, através da Resolução 11/2012. www.sitepsicologaonline.com.br Trabalha com as questões relativas a Terceira Idade em especial com preparação para aposentadoria. Trabalha também com estimulação cognitiva para idosos em Geriatria tanto individualmente como em grupo. Atendimento a familiares de pacientes idosos com Alzheimer e demência senil psicoeducando, como também proporcionando suporte emocional nessa fase. É supervisora de estágio curricular em Psicologia.

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