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Novo livro de Charles Duhigg revela os aspectos da ciência da produtividade

Novo livro de Charles Duhigg revela os aspectos da ciência da produtividade

Quando se fala no retrocesso na produtividade do brasileiro, pessimistas pensam em clichês como o Barnabé do serviço público que se move a uma velocidade do praticante de Tai Chi Chuan, mas sem a graciosidade dos movimentos. O instituto global de pesquisa Conference Board revelou, em 2015, que era preciso reunir quatro trabalhadores brasileiros para obter a produtividade de um americano.

O debate da produtividade está em dia não só por causa da desaceleração do crescimento global – ele entrou na vida privada. Graças a uma invasão tecnológica sem precedentes na história humana, passamos o dia ocupados, o que está longe de significar que estamos mais produtivos.

Mais Rápido e Melhor, os Segredos da Produtividade na Vida e nos Negócios(Editora Objetiva), o novo best-seller de Charles Duhigg, autor do sucesso O Poder do Hábito, trata dos processos que distinguem as pessoas produtivas. Assim como explorou estudos de psicologia e neurociência no primeiro livro para mostrar como hábitos podem ser alterados, em Mais Rápido e Melhor, Duhhig divide o tema da produtividade em oito capítulos, reunindo cada aspecto da ciência da produtividade, como motivação, foco, equipes e metas a histórias reais, que vão desde Annie Duke, a cientista que se tornou campeã de pôquer, passando pelo sucesso inicialmente improvável de Frozen à tragédia do voo 447 Rio-Paris da Air France, em junho de 2009.

Hoje editor de eventos e conteúdos especiais do New York Times, Duhhig me recebe na sede do jornal em Manhattan exibindo o resultado de um hábito interrompido, o de se barbear. Ele transpira otimismo. Enquanto me conduz ao vasto refeitório do sexto andar, penso que estou em companhia da versão orgânica do que Duhigg escreveu nos dois livros.

Ele explica como a decisão de fazer pares, entre histórias reais e temas da produtividade é mais do que um dispositivo para tornar a leitura agradável, foi inspirada no estudo neurológico dos modelos mentais. “Sabemos que o cérebro tem dificuldade de reter ideias, a não ser que estejam ancoradas em algum tipo de história,” diz. “É também dessa maneira que fazemos sentido das nossas vidas, é como programamos nosso cérebro para prestar atenção em certas coisas e ignorar outras.” Duhigg lembra que todos nós estamos construindo modelos mentais quando, por exemplo, pensamos, no trânsito, sobre o que vamos fazer quando chegar em casa à noite.

A diferença, diz ele, é que as pessoas mais produtivas se esforçam por visualizar mais especificamente modelos do que esperam acontecer.

“Por exemplo”, continua, “um estudo de CEOs revelou que a maioria tem uma rotina diária à qual vários se referiram como oração, mas não no sentido religioso. Separam uns 15 minutos para visualizar seu dia. Qual a minha principal meta? E quais os maiores obstáculos?” Com o roteiro mental, ele explica, o cérebro se torna mais sensível e distingue mais rápido o que merece atenção e o que merece ser ignorado.

O hábito de visualizar objetivos se torna central na capacidade de adquirir e manter foco. E pode representar a diferença entre a tragédia da Air France, que matou 228 pessoas, e o pior desastre mecânico no ar da aviação moderna, o do voo 32 da australiana Qantas, entre Londres e Sidney, que teve final feliz em novembro de 2010.

“Não havia essencialmente nada de errado com o Airbus da Air France”, lembra Duhigg sobre o sensor que congelou e desligou o piloto automático. “Se os pilotos não tivessem feito nada, o avião não teria caído no mar. Eles não tinham controle sobre sua atenção, desviaram o foco para ruídos e sinais errados de medidores, reagindo incorretamente e provocando a queda.”

Foco. Já o Airbus da Qantas sofreu uma explosão catastrófica de um dos motores e abriu-se um grande rombo numa das asas. No comando do avião, estava o veterano Richard de Crespigny, um fã dos modelos mentais. Ele costumava desafiar os copilotos, perguntando, o que vai fazer se acontecer isto ou aquilo? O que fará com as mãos, o que vai olhar primeiro? No meio daquela emergência, quando havia roteiros demais em competição, Crespigny resolveu procurar uma história simples para tentar pousar. E escolheu a do Cessna, um avião que tem os controles básicos de voo. E foi nisso que ficou focado, afastando distrações de múltiplas emergências em torno dele.

5KF0PP4aMotivação individual e em equipe são fatores que Duhigg destaca como chaves da vida produtiva. Ele visitou um pesquisador da Universidade de Pittsburgh, que estudou, através de ressonâncias magnéticas do cérebro, a fisiologia da motivação. E mostrou como o direito de escolha da tarefa, ao contrário da imposição, aumenta a produtividade. Em grupos, o autor argumenta que eles se tornam mais produtivos quando todos têm voz e não apenas um especialista distribui tarefas. “Sei que isso parece o oposto da eficiência,” admite. “O líder de uma equipe precisa garimpar a expressão individual.”

O autor diz que a rotina de “multitasking” acumulou em décadas o que equivale a um desafio à evolução humana milenar. A única maneira de lidar com a permanente sobrecarga de estímulos e tarefas, diz, é criar sistemas de proteção como listas de prioridades e modelos mentais. E não confundir deliberar com reagir. “Somos predispostos a reagir”, diz. “A reação consome menos energia na nossa mente. Temos de nos forçar a deliberar-pensar com mais profundidade. Essa pequena diferença, de pensar mais profundamente, distingue as pessoas bem-sucedidas do resto.”

Fonte: LUCIA GUIMARÃES / ESPECIAL PARA O ESTADO / NOVA YORK – O ESTADO DE S.PAULO

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