O perfil de usuários do Facebook está mudando, atualmente há muitas pessoas acima dos 50 anos usando esta rede, enquanto os mais jovens estão migrando para o Instagram.

Algumas pessoas criticam as redes sociais, de modo geral fazem críticas nas próprias redes, o que indica que as utilizam, pelo menos esporadicamente. Entendo que esses críticos tenham pouca sensibilidade em entender o papel que esse novo meio de comunicação está desempenhando, especialmente para a população da terceira idade. Não é raro vermos pessoas, muitas vezes já aposentadas e com filhos adultos “fora do ninho”, sentar num sofá e ficar assistindo TV grande parte do dia, recebendo “notícias” irrelevantes, o que contribui para alienação total da realidade, não interagindo com seus pares.

Uma forma mais “digamos” intelectual é usar o tempo em leituras de jornais, revistas e livros. O que, sem dúvida, estimula a autocrítica. Mas, mesmo nesses casos, temos que lembrar que poucos idosos mantêm um círculo social onde possam discutir assuntos políticos e sociais atuais, abordar os temas apresentados nos livros lidos e mesmo conversar sobre banalidades. O isolamento das pessoas, principalmente idosos, em função do nosso novo estilo de vida, não proporciona a troca entre pessoas reais. Assim, por mais que critiquemos as redes sociais quando publicamos algo, basta uma “curtida”, um compartilhamento ou um comentário que é o suficiente para que nos sintamos “ouvidos”, por mais pessoal que possa ser nossa opinião sobre política, esporte, religião ou qualquer outro tema. As redes sociais possibilitam ao usuário a interação, que seja virtual, com o mundo.

Acredito que o fato de parar de usar as redes sociais, não fará com que a vida social mude, que se reaproxime dos amigos, da família, da igreja etc., apenas aumentará a solidão.

Embora haja controle daquilo que é publicado, o desejo de se comunicar do ser humano é muito maior do que o controle imposto por essas empresas.

Às vezes as pessoas entram em discussões que não lhe dizem respeito e em polêmicas com “amigos virtuais”. Talvez não seja o ideal, mas é importante se sentir parte de algo. Além disso, não voltaremos a um tipo de sociedade pré televisão, pré internet, etc. Não voltaremos a nos sentar em cadeiras na rua e conversar com os vizinhos nem ficar em torno de uma fogueira para discutir as questões da comunidade. Isto ficará como saudosismo de outros tempos.

Tempo devorador das coisas

Comentários

comentário(s)