O apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, que participou do programa “Todo Seu” no dia primeiro de abril, falou sobre a saúde do filho Marcelo Nóbrega, que sofreu oito paradas cardíacas no início de março em consequência do tabagismo. Na conversa com Ronnie Von, ele afirmou que ainda não deixou o filho voltar a trabalhar no programa “A Praça É Nossa”, do SBT, e até o ameaçou de ficar sem emprego caso volte ao vício.

Este acontecido demonstra, mais uma vez, a necessidade do entendimento do uso de substâncias (lícitas ou ilícitas) como uma doença e não como um comportamento desviado ou desviante. Todas atuam no sistema nervoso central produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora, promovendo prejuízos e perigos à saúde que devem ser sempre considerados.
– É interessante ver um pai se posicionar desta forma. Na maioria das vezes vejo que os familiares têm muita dificuldade e inabilidade de serem assertivos acerca do uso disfuncional de substâncias, seja tabaco, álcool ou drogas ilícitas. Em muitos casos, o uso causa tanta preocupação e mal estar que acaba gerando emoções tóxicas, um adoecimento emocional que dentro do trato das dependências e das disfunções familiares dá-se o nome de Codependência – alerta a psicóloga Ana Café, idealizadora do Núcleo Integrado e especializada na prevenção e tratamento da Dependência Química.
Este termo tem origem no adoecimento dos familiares de usuários de substâncias, mas o codependente é uma pessoa que se permite viver relações disfuncionais e acaba adoecendo na tentativa de controlar o outro (e neste contexto família se caracteriza por laços de afeto e não apenas de sangue). São pessoas que acabam se desfocando das suas metas e dos seus objetivos no sentido de cuidar de alguém, de tentar controlar, de não entender a premissa de que cada um é responsável pelas consequências de suas escolhas, como diz a expressão popular “Cada macaco no seu galho”. Ou seja, podemos incentivar e oferecer suporte a pessoas queridas, mas nunca viver e escolher por elas.
– Um limite é saudável quando estimula a reflexão e não é movido pela raiva, quando a pessoa consegue dá-lo com a consciência de que está fazendo o melhor para quem ama, desejando preservá-lo e não com a tentativa de controle, do “agora ele vai parar, agora eu vou fazê-lo mudar” – diz Ana.
É importante que o codependente se conscientize e faça algum tipo de acompanhamento psicológico (seja terapia em grupo, terapia familiar ou terapia individual) pois trata-se de uma situação que envolve grande sofrimento e muito difícil de ser resolvida sem ajuda, já que faz parte do cenário cuidar do outro e não de si mesmo. Procurar compreender como o cérebro se comporta diante dos estímulos de prazer e aprender como lidamos com isso nos oferece a capacidade de ter atitudes mais inteligentes, funcionais e humanas para lidar com uma questão que se apresenta há diversas gerações, completamente inserida no sentido da existência pessoal e social.
– Entender o comportamento diante do tabaco, álcool e outras drogas como proveniente de um distúrbio da vontade é desafiador. A família faz parte desse caldeirão junto com o usuário. Ele se sente “todo errado” e culpado em paralelo à família que se questiona: “O que posso fazer pra acabar com isso tudo?” – explica Gisele Aleluia, especialista em terapia familiar sistêmica.