Este filme conta a história de 3 senhores, na faixa dos seus 70 anos e residentes da cidade do México, que decidem fazer uma viagem para Acapulco, a mesma viagem que já haviam feito, mas 50 anos atrás.

Mariano, que é viúvo, pai de uma filha e também avô, é quem organiza a viagem, uma espécie de reencontro para recordar os velhos tempos. Pelo menos é o que pensamos de início.

Nesta viagem, além de Mariano, estão Antolin e Justo. É interessante observar no início do filme as relações destes senhores com suas famílias, exceto por Justo, que nunca se casou e não tivera filhos. Também podemos observar que um revólver faz parte da bagagem de Mariano, e no decorrer do filme, é revelado o porquê de ter lavado a arma escondida.

Desde a chegada a Acapulco vemos que 3 amigos, cada um a sua maneira, tentando reviver a juventude, passando por episódios de infrações, bebedeiras e galanteios a mulheres muito mais jovens.

Outra presença constante no filme é a imagem deles mesmos, mas na primeira vez que estiveram em Acapulco. E parecem ser doces memórias.

Ao desenrolar da historia vamos entrando em contato com questões próprias da idade, tais como: uso constante de medicações, dores articulares, galanteios que se usavam antigamente, tentativas de esconder a idade… seja usando roupas que acham que os jovens consideram na moda; seja usando peruca.

Não leva muito tempo para também percebermos que Mariano guarda um segredo, e que seu objetivo ao realizar esta viagem não foi apenas reencontrar os amigos.

Vemos segredos como forma de se manter vivo algum impulso de prazer, bem como deixar tornar uma situação que poderia ser resolvida de forma mais saudável se tornar um tormento quando não aceita.

Os personagens fazem amizade com um guia local, Delfin, e podemos dizer que são acompanhados não apenas pelo rapaz, mas também pela juventude e vitalidade que este representa.

Mariano, já viúvo como dito antes decide reencontrar Carmen, seu amor de juventude. Não tarda a perceber que este reencontro é também uma despedida.

Há uma passagem particularmente bela no filme na qual, por uma falha de comunicação, os personagens são despejados de seu paradisíaco e confortável hotel e vão se hospedar em um local que eles mal conseguem chamar de hotel, mas que lhes oportuniza um vislumbre de como viveram suas juventudes, onde nem tudo era belo e confortável, mas com certeza era divertido. Aqui vale uma reflexão da nossa vida… do nosso saudosismo… até uma reflexão de onde nos perdemos ou mesmo de onde paramos de achar graça no simples, na gente, nos outros, na vida…

Bom, voltando ao filme, o reencontro de Mariano com Carmen se dá em meio a Justos entrando em contato com novas configurações de relacionamento e o adoecimento de Antolin. É também neste momento que ficam claras as intenções de Mariano ao viajar para Acapulco e o porquê de levar o revolver.

Há outra passagem que nos chamou muito a atenção no filme que se dá quando Mariano, Justo e Carmen estão aguardando notícias de Antolin no hospital e Justo percebe que o amigo internado estava, de uma maneira não muito clara mas constante, comunicando que não poderia ficar muito tempo longe de casa, pois sua saúde estava fragilizada.

O final do filme mostra como muitas vezes fazemos escolhas egoístas não por maldade, mas simplesmente porque criamos um mundo de fantasias no qual a dura realidade, mesmo que por um momento, deixa de existir.

Às vezes pensar sobre nossas escolhas pode ser doloroso, mas é desta forma que podemos entrar em contato com o nosso verdadeiro eu. Isso não é determinante para passar ou não por imprevistos na vida, entretanto pode ser determinante para seu psiquismo. Mesmo que o tempo que nos resta seja curto, vale a pena ser vivido da forma mais plena possível.

Viva o hoje!

Ame hoje!

Seja Feliz hoje!

Uma ótima semana a todos!

 

Texto baseado no filme:
Acapulco, La vida va (disponível no Netflix). Lançado em 27 de janeiro de 2014 e dirigido por Alfonso Serrano Maturino

Escrito em conjunto por:
Samantha Sittart – Psicóloga, especialista em psicoterapia analítica CRP 07/23524
Laura Cohen – Psicóloga, especialista em terapia vincular de casais e família CRP 07/15388

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