A psicoterapia é um método de tratamento de problemas psicológicos e emocionais baseado no conhecimento científico do funcionamento psicológico, promovendo alterações do comportamento e aumento do auto-conhecimento, leva a uma maior adaptação pessoal e social e aumenta a liberdade interior. No processo terapêutico procura-se compreender o dinamismo consciente e inconsciente que leva aos sintomas queixosos, promovendo a ampliação da consciência e a transformação da pessoa em suas dinâmicas, capacidades e postura de vida. Para isso são utilizadas técnicas que se adequam às necessidades do paciente.

A psicoterapia corporal é uma terapia onde ocorre não apenas interação verbal entre o paciente e o terapeuta, mas onde, também, existe uma ampliação da consciência do paciente, com relação a seu próprio corpo, através da introspecção, do relaxamento, do estado meditativo, de posturas e técnicas corporais específicas, que são aplicadas.

Um dos princípios que dão base a esse tipo de trabalho é o contato com experiências profundas com potencial de cura e liberação de tensões e emoções bloqueadas. Promove um aprofundamento das emoções e das sensações, gerando alívio e descarga das tensões.

A consciência corporal traz conteúdos novos à pessoa, que não seriam acessados com a mesma facilidade pelo método verbal. Como existe um olhar voltado para si mesmo, a consciência consegue trabalhar com capacidade ampliada, e com potencial de cura expandido.

Um dos métodos utilizados na terapia corporal é o chamado método calatônico, desenvolvida pelo seu criador Pethö Sándor. Atua potencialmente em vários níveis da complexa estrutura psico/física de cada indivíduo e integra elementos da psicologia profunda (em especial as idéias de Jung) ao trabalho corporal.

A Calatonia, como é conhecida, traz conforto físico e psíquico para as pessoas. Quando o corpo é tocado, a psique pode reagir permitindo o desenvolvimento de uma efetiva ressonância bi-pessoal, abrindo espaço para diálogos em termos de exploração biográfica e um levantamento amplo e estratificado da situação atual do paciente.

Tomando como base a teoria reichiana de que todas as emoções mal trabalhadas deixam marcas no corpo, na musculatura, retesando os músculos, comprimindo-os, comprometendo a vitalidade o método calatônico vai trabalhar, de forma sutil (através de pequenos toques nos dedos, planta e base dos pés, além de tornozelo e panturrilha), objetivando a liberação desses bloqueios em nível muscular, atuando também no psiquismo da pessoa: junto com a descarga e liberação energéticas, vêm à tona imagens, cores, sensações carregadas de valores simbólicos.

A técnica de Calatonia é indicada em casos de pessoas com depressão, principalmente nas fases de prostração, pessoas com problemas de equilíbrio postural, cansaço e tensão nos membros, na reabilitação de membros com fraturas, entorses e luxações, na dor fantasma de pessoas com membros amputados, pessoas com problemas de coluna, dor ciática, hérnia de disco, pessoas com problemas de aterramento, desligadas, sonolentas, sem base e estabilidade na vida, na recuperação de cirurgias, junto à fisioterapia e na reabilitação do ânimo em geral. Bons resultados foram encontrados no tratamento de pessoas com síndrome de Asperger.

A Calatonia possibilita a necessidade de transcender a dimensão psíquica, pois intervindo no corpo, interfere-se na mente no sentido de possibilitar uma melhora em seus pensamentos e desejos. O Método Calatônico é considerado como um recurso psicoterápico, pelo próprio conteúdo teórico que o embasa.

A Calatonia deu origem a uma metodologia de trabalho psicoterápico: a “Integração Psicofísica”. Essa metodologia alia o conjunto das técnicas de trabalho corporal baseadas na estimulação tátil sutil à Psicologia Analítica de G. G. Jung.


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