Select Page

Ver o belo aos 50 anos exige aceitação

Ver o belo aos 50 anos exige aceitação

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?” Confúcio, em 551a.C.-479a.C, mestre, filósofo e teórico político, figura histórica conhecida na China, cuja influência se expandiu por toda a Ásia.

A pergunta suscita reflexão e profundidade. Discutir beleza e idade em tempos de massificação de conceito e ‘coisificação’ das pessoas é quase que um ato de loucura. Ousar ser diferente e pensar de maneira diversa provoca mal-estar na grande maioria.

A verdade é que envelhecemos a partir do momento da concepção. De lá pra cá, mudanças, transformações, fases, aprendizados, eu definiria, muita lapidação. Nascemos uma pedra preciosa bruta. Bela, sim, mas carente de design e sofisticação. O que nos lapida é o que fazemos com aquilo que a vida nos apresenta ao longo de nossa trajetória. Cada atrito, cada corte, ajuda a ‘mostrar’ todo o seu esplendor. Em outras palavras, lapidar é abrir facetas (janelas) para luz entrar.

É incrível ver que quando chegamos a esse ápice de beleza, passamos a evitar registros dele. Preferimos que ninguém nos fotografe, pinte ou nos interprete por meio de verso ou prosa. É realmente triste e trágico ver que pessoas com mais e 50 anos se olham o espelho e apenas consegue ver aspectos negativos, defeitos, em seu rosto e corpo. A sociedade diz que a beleza está apenas na juventude e, infelizmente, compramos esse ‘kit capitalista lucrativo’ que foca a ‘venda’ de um estereótipo pobre, que nega a aceitação do que há de melhor em cada etapa de nossa vida.

Se me sinto absolutamente satisfeita com o que vejo no espelho todos os dias? Muitas vezes não. Tenho meus bons dias e maus dias. Mas aceito e acolho o que está refletido. Verdadeiramente tento e busco não me entregar à ideia de que aquela imagem seja o meu todo. Só isso. Me recuso a maldizer ou amaldiçoar qualquer ínfima parte deste corpo, que considero sagrado e absolutamente perfeito. Um templo de sentidos e emoções, que torna minha vida uma paleta de cores única neste maravilhoso universo.

Quando tinha vinte anos fiz um ensaio fotográfico para presentear um namorado na época. Não foi por vaidade não. Aliás, naquela fase da minha vida, o ‘presente’ foi justamente me dispor das minhas autocríticas e censuras, oferecendo a ele um pouco da minha ‘meninice’ envergonhada, insegura e apaixonada. As fotos retrataram com fidelidade o que eu estava sentindo e vivendo. A reação dele ainda está na minha memória até os dias de hoje.

Na virada dos 50, todos os dias acordo disposta a resgatar alguma coisa em mim. Uma delas é a busca de um profissional da área de fotografia, que possa captar com sensibilidade a beleza deste rosto com pele mais flácida, cabelos mais finos e escassos, rugas e marcas de expressão por todos os lados, mas também olhos brilhantes, cheios de vida e esperanças, além de um sorriso mais generoso, solidário e feliz. Quero um book agora, para comemora a minha fase de ouro. Pretendo escolher uma imagem, ampliá-la para colocar no meu quarto. Sim, eu verdadeiramente me amo e posso conviver com a minha imagem por todos os dias da minha vida.

Poderia, mesmo sob críticas contundentes, até mesmo assumir, sem constrangimentos, meus cabelos brancos e parar de tingi-los. Sinceramente, acho bonito cabelos grisalhos prateados mesmo para as mulheres. “Ah!” Muitas vão dizer, “isso envelhece muito e demonstra falta de cuidado”. Como se as manchas senis nas minhas mãos, minha pele ressecada, minhas rugas de expressão, meus “quilinhos” a mais e a diminuição no volume do meu cabelo já não denunciassem esse envelhecimento.

Mas se perco com a passagem do tempo no lado da estética idealizada, do físico, ganho em flexibilidade, generosidade, paciência, segurança, fé, paz, consciência, emoção, humildade, resiliência, aceitação, passividade, feminilidade, entre outras riquezas que me permiti desenvolver ao longo da jornada.

Quanto mais o tempo passa, menos eu devo para o mundo e isso é um alívio.

Há cada dia me sinto mais à vontade nesse meu ‘invólucro’, apesar das celulites, varizes, estrias e flacidez. Como é bom viver assim, simplesmente aceitando as coisas como elas são…

Estava fazendo pesquisa no Google, quando encontrei esta pérola, que expressa tão bem o que eu sinto: “Deixar a porta aberta para o envelhecer tem um resultado acalentador. Em troca, o amadurecimento entra com respeito, sem gerar tanta angústia. Aceitar, sim. Porque às vezes o medo que sentimos diante de uma nova ruga tem menos a ver com a autoestima e mais com a resistência em mudar.”

Comentários

comentário(s)

Sobre o Autor

Ana Carolina Martins

Ana Carolina Martins é mulher, uma ‘quase cinquentona’, jornalista, escritora, revisora de textos, mãe de Davi, interessada em temas sobre comportamento humano e autora do blog No Divã com Carol (http://nodivacomcarol.wordpress.com). E recebi uma noticia maravilhosa que é ser a Jornalista responsável por matérias que estimulam pessoas como eu a acreditar que vale a pena investir em uma nova carreira. Eu estou aceitando um novo e grande desafio que embarcar aqui no portal Total idadee e na escola de formação em Coaching a Pró Coaching Brasil

Deixe a resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.